Importante: Este conteúdo é apenas educativo e informativo. Não se trata de uma recomendação de compra ou venda de ativos.
Estreito de Ormuz: A Chave da Economia Global
Para o investidor iniciante que tenta compreender a intrínseca ligação entre o litro do óleo diesel no Brasil e os conflitos no outro lado do mundo, a geografia nos dá a resposta: o Estreito de Ormuz funciona como a veia jugular energética do planeta, conectando as grandes reservas petrolíferas dos países do Oriente Médio aos clientes sedentos da Ásia, Europa e das Américas. Qualquer bloqueio – como aquele especulado durante toda a crise – significou a imediata reprecificação instantânea dos barris nos índices internacionais Brent e WTII.
Nas mesas de operações globais e plataformas no Brasil que compõem o principal indicativo, o Ibovespa, quase um terço do seu total gravitacionava ao redor desta ansiedade, puxado em particular pelo impacto gigantesco exercido pelas gigantes exportadoras de commodities perfeitamente atreladas a esse custo operacional.
A Queda do Petróleo e a Bolsa Brasileira
Ao se confirmar as tratativas e a potencial retomada de escoamento livre no Oriente Médio, as ações reverteram as cotações imediatamente. O preço global do barril de petróleo — que ameaçava furar seus patamares de suporte em disparada de volta ao ciclo dos indesejáveis recordes alcançados há pouco tempo — sofreu uma reversão pontual abrupta com a diminuição deste chamado 'Prêmio de Risco'. Esta precificação do alívio foi instantaneamente capitaneada sobretudo pelos ativos financeiros ligados ao transporte logístico e aviação.
Esta correção da moeda (dólar para a casa dos R$ 5,15) traz reflexos gigantes para os balanços corporativos em território nacional. Para boa parte das montadoras, companhias tecnológicas de importação agregada, frigoríficos e a extensa indústria de insumos agrícolas brasileira as expectativas mudaram da defensiva para o crescimento operacional.
Como Fica Seu Bolso e Seu Patrimônio?
Ao se diminuir as chances da paralisação e uma temida espiral inflacionária global, o aperto do crédito diminui para economias como a nossa, influenciadas pesadamente pelas altas taxas do tesouro norte-americano. Na ausência do acúmulo da inflação de produtos importados via petroleo inflado, as taxas pré-fixadas tendem a se reacomodar permitindo aos bancos centrais emergentes relaxar políticas monetárias punitivas em juros – afrouxando a nossa curva de juros para taxas amigáveis ao cidadão na prateleira de empréstimos, facilitando financiamentos de imóveis e repasses de crédito no mundo real.
O investidor de varejo pode captar grandes janelas que antes pareciam turvas. Enquanto setores tradicionais como seguradoras e empresas de shoppings veem agora maior demanda livre (o capital do cliente antes devorado pela inflação invisível sobrevive mais perante o salário), é uma grande hora para aqueles que focaram em diversificação sentirem solidez. O mercado de capitais no cenário de pacificação recompensa diretamente a economia produtiva em detrimento exclusivo de papéis lastreados a ouro, inflação e dólar que outrora pareciam ser os únicos refúgios num cenário caótico.
À medida do distanciamento contínuo destas semanas terríveis, um fechamento deste acordo chancelado e mantido estabiliza os juros longos no Brasil. Isso reacende os motores de valorização do Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX) que são o porta-malas pagador de dividendos da maior parte dos brasileiros.